Estrela de Belém



Há meses, vinha ensaiando minha passagem pela Palestina.
Tudo começou no dia em que o Arcanjo Gabriel passou
por mim com um recado do Céu. Ele fora visitar uma moça
linda e silenciosa que morava em Nazaré. E retornou sorridente.
O nome da moça era Maria. Um querubim segredou-me
que Maria aceitou ser a Mãe do Filho de Deus.

Daquele dia em diante, iniciaram-se os preparativos
no Céu e na Terra. Era possível ouvir um coral de anjos
ensaiando uma canção de glória e paz, enquanto treinavam
revoadas suaves e graciosas, quase sempre à noite.

Quando nós, estrelas, começávamos nosso trabalho de
salpicar o Céu com pontinhos de luz, e a encantar pastores
e poetas, percebia que muitas pessoas olhavam para o Céu
procurando por mim. Três reis magos e astrônomos eram
os mais atentos e persistentes.

Na harmonia do Universo, todos se unem para ajudar
uns aos outros. Naquela noite longa e fria do solstício
de dezembro, estava já preparada com o meu vestido de luz.
Eu era a Estrela de Belém e devia dar o sinal quando
nascesse o Filho de Deus. Estava feliz! Nunca imaginei,
porém, que a divina Criança nasceria num lugar simples
e afastado, numa gruta, nos arredores de Belém. Silencioso,
porém, e com privacidade. Tudo aconteceu meio de repente,
na calada da noite. Meu coração intuitivo e feminino de
estrela percebeu logo o cantar dos anjos em revoada sobre a gruta.
Abri, então, um sorriso imenso e espalhei minha luz
por toda a região. Entrei até pelas frestas da gruta,
misturando minha luz com a que o bebê recém-nascido irradiava.
Foram momentos de esplendor e glória dos quais apenas
os pais da criança, os pastores da região e alguns visitantes
forasteiros participaram. Depois tudo se aquietou.
O Universo ficou um longo tempo em adoração. A emoção daquela noite
permanece até hoje.

Coloquei-me sobre a gruta, pois devia ser o sinal
de que o Filho de Deus havia nascido. Alguns dias depois,
três reis magos iniciaram uma longa jornada em direção a Belém.
Ao entardecer de cada noite, procuravam por mim.
Quão importante e feliz me sentia em guiá-los até a gruta,
onde nascera o Filho de Deus – Jesus.

“Vimos a estrela no oriente e viemos adorar o Menino”,
disseram os magos. Trouxeram presentes e permaneceram pouco tempo ali.

Mais tarde fiquei sabendo que eles escolheram
um caminho diferente para voltar às suas terras.
Decidiram não contar ao Rei Herodes onde estava o bebê Jesus,
o esperado por muitos anos. Ao regressarem, vez por outra,
os magos olhavam para mim, felizes e agradecidos.

Nada fiz para merecer tamanha honra e responsabilidade.
Ser sinal e caminho de luz para levar as pessoas a JESUS.
Pena que muitas andam tão preocupadas com tudo que têm para fazer,
que raramente olham para o céu.

Quero “dar uma mãozinha de luz” para os que sonham alto
e desejam “alcançar as estrelas”



© Ir. Zuleides Andrade, ASCJ

Curitiba, 29 de dezembro de 2005


 


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